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Diario de Bordo

Pequenos grandes nadas que me vao acontecendo...

Diario de Bordo

Pequenos grandes nadas que me vao acontecendo...

Há tempo demais.

Já pensaste que somos bebés grandes? Que todos vivemos os nossos primeiros dias dentro de alcofas, mais ou menos pobres?

Todos fomos olhados com ternura por estranhos,

(tão querido o bebé)

E hoje ninguém nos olha, andamos sós nas ruas, cruzamo-nos sem amor nem afecto,

Uns pelos outros, passamos uns pelos outros com indiferença, magotes de bebés grandes que não têm colo há tempo demais.

Fomos belos um dia, acabados de fazer, à imagem e semelhança do criador

(dizem eles)

E depois, com o tempo, vamos deformando a nossa perfeição, ganhamos cicatrizes e rugas, como uma camisola velha, e deixamos de ser olhados com o sorriso das roupas acabadas de comprar. Somos atirados para o fundo de uma gaveta, com desprezo, ou para o fundo de um lar.

Mas fomos bebés, não vêem que fomos bebés?

Quando penso deste modo, sinto compaixão por todos os idiotas, aquela ternura que temos pelas crianças, aquela condescendência ingovernável.

Nas guerras, do outro lado da trincheira, ex-bebés atiram granadas para matar outros ex-bebés, de capacete diferente e armas apontadas.

Longe dos beijos das mães, dos colos dos pais, dos olhares de ternura dos desconhecidos.

E porquê? Sempre pela mesma razão: - Propriedade.

Percebes porque te digo que não me controlas? Que não te pertenço? Que não me pertences? Que ninguém é de ninguém? Nada é de ninguém?

Porque te amo e te quero ao pé de mim sem que tenha de te amarrar.

(Ricardo Leitão)

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