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Diario de Bordo

Pequenos grandes nadas que me vao acontecendo...

Diario de Bordo

Pequenos grandes nadas que me vao acontecendo...

Esperam de ti...!

Esperam de ti:

Que cases. Que te juntes numa cerimónia branca e imaculada, rodeada de família e amigos.

Que tenhas filhos depois. Só depois. Esperam de ti, mulher, que saibas, no mínimo, estrelar ovos e que gostes de homens. Mas que sejas fiel. Ordeira e arrumada. Limpa e asseada. E que dês de mamar. Que sejas incansável na função de mãe, sem lágrimas ou dúvidas.

Mãe que é mãe nunca se arrepende de nada. Nem de os ter. Nem do que faz. Nunca questiona os conselhos dos mais velhos.

Esperam de ti isso e mais. Que qualquer sensação de fraqueza é para erradicar do peito e da cabeça.

Esperam que se te dizem que deves dar peito até aos dois anos, é para cumprir. Que se não sentes qualquer gozo nisso, és menos mãe. Menos capaz. Menos mulher. Esperam de ti um parto normal.

Gaja que é gaja, tem parto vaginal. As outras são umas “meninas”.

Esperam de ti a boçalidade da pré-história.

Esperam que tenhas os filhos sempre limpos e que lhes dês banho todos os dias após uma refeição sem fritos ou salsichas.

Esperam que a roupa do homem com quem casas, porque é suposto gostares de homens, esteja passada a ferro. Que se não podes, contrata alguém.

Esperam que não haja vincos na tua camisola quando vais trabalhar todos os dias nem nódoas de ranho ou papa.

Esperam que tires um curso. Que sejas “alguma coisa” mas que consigas ter a casa num brinco, sem pingo de pó ou brinquedos fora do sítio.

Esperam que sejas magra. Atlética. Que corras todos os dias. Ou dia sim, dia não, vá. De depilação feita e unhas coloridas.

Que faças bolos ao sábado. E que não tenhas as raízes do cabelo por fazer.

Esperam que te comportes bem e que nunca bebas um copo a mais para não caíres em figuras ridículas. Que nunca sejas daquelas que urina entre dois carros, no meio do Cais do Sodré.

Esperam isso. Esperam mais.

Que nunca adormeças maquilhada porque sujas a fronha da almofada. E que não te separes. Aguenta. É suposto aguentares porque tudo dá trabalho na vida. Por isso, é suposto esforçares-te. Pelos filhos. Por ti, não. Não carece. Por ti, não. E pela imagem. A imagem. E o que gastaram naquele casamento sumptuoso! Não. Aguenta, se faz favor. Pelos teus pais e pelos teus filhos. Esmera-te. É capaz de ser culpa tua.

Esperam isso de ti. E não convém falhares.

Esperam que tenhas sempre a louça na máquina e a roupa estendida.

Que a cama esteja sempre feita. Todos os dias.

Esperam de ti pouco rasgo.

Se pensares demasiado, vais questionar demasiado. Ser curiosa ainda vá. Reflectir é evitável.

Não esperam que sejas uma grande intelectual ou que fumes charutos ou que gostes de brandy. Vais beber licor de café ou vinho do porto e fumar qualquer coisa com sabor a mentol.

Esperam de ti a dignidade. Que aceites o assédio como um galanteio.

Esperam que uses saltos altos todos os dias e que uses um perfume que enche o elevador.

Esperam que sejas isto. E mais.

Só não esperam que sejas feliz.

Rita Marrafa de Carvalho

Dias orfãos..

Há dias órfãos. Como hoje, não se sabem donde vêm ou como apareceram...

Não lhes sabemos a origem ou a árvore geneológica do pedigree.

Acorda-se triste e só se pensa em quando é que poderemos voltar para a cama para enterrar o dia, quando na verdade o que nos assusta não é o dia, mas os que se seguirão.

O futuro como problema presente. Todos os futuros, porque temos muitos no mesmo - a vida sendo uma só tem muitas facetas, como nós.

E eu estou com medo, e estou cansada, e sem forças para nada, mesmo que não possa estar assim, mesmo que a vida agora não mo permita, estou.

E isso implica mais esforço para compensar a inércia, o cansaço, o desalento.

E nada que puxe, nada que me puxe da cama. Nada, a não ser a obrigação. Nada faz sentido senão o sentido do dever que me obrigo a sentir.

Aqui sentada, sinto os ombros embrulhados nas orelhas de tanta tensão, de tanto cansaço, de tanto medo.

Só me apetecia ir para um sitio destes, longínquo, desterrado, amplo, onde ninguém esperasse nada de mim, onde ninguém se pudesse desiludir, e onde a solidão é uma bênção de paz, de sossego, de tranquilidade.

Há dias em que a única coisa má da solidão é acabar antes de nós termos acabado com ela.

Às vezes, o pior da solidão é saber que vamos ter de voltar ao mundo e enfrentá-lo.

Quando na nossa solidão estávamos tão bem, tão aninhados, e quase protegidos dos outros a que não chegamos, mesmo quando queriamos chegar. Na solidão chegamos e bastamo-nos, chega a ser reconfortante não haver comparações, expectativas ou ansiedades de futuro.

Somos, simplesmente. Sem medo de ser, ou medo de não ser.

O pior da solidão é acabar onde começa um mundo que tememos e não dá trégua.

E nos vence todos os dias.

 

(Algures encontrado e que tinha guardado no meu bau para dias como hoje)

Se nao os podes vencer...

....Confunde-os!!!

A frase nao e bem assim, mas acho que tenho que adaptar esta uma vez que jamais me poderia juntar a "eles"!!

Nao consigo lidar com a hipocresia, os "lambe botas"..o mundo esta cheio bem sei, mas estou com este tao grande amargo de boca que me custa tanto ,, mas tanto degerir..

Como e que se consegue ter sanidade mental para lidar com gente tao mas tao mesquinha!

Eu sabia que existiam..mas ter que conviver com eles e outra..

E ha dias insuportaveis..logo o melhor mesmo e confundi-los e acharem que eles sao os mais "espertos"..

Quando na verdade não o são..

E isto!

 

 

Ainda sobre o Outono...

Aproveitar um bocadinho estas noites de Outono ainda sem mantas.

Estamos a ver o Outono, que é um instante entre o seu cumprimentar de longe e o chegar-nos com toda a melancolia, toda a nostalgia da minha estação preferida, ou aquela com que mais me identifico.

 Engraçado, agora, pensar nisto que digo, porque o outono é o morrer de tudo o que nasceu na primavera, a transformação que dará lugar, depois, a coisas novas e verdejantes.

 São as despedidas, os fins a que se seguem os lutos, os frios cerrados, a noite mais escura antes do amanhecer da primavera.

São os pores de sol quentes ao longe. E talvez eu seja isso mesmo, feita de fins, de folhas que caem para que venham outras, que se despegam dos braços das árvores, que tombam nos caminhos por percorrer já despidas do verde de vida.

De mim tudo se despega, se despede,de mim como a um casaco coçado, gasto, sem serventia. Folhas mortas no chão. As primaveras moram noutras paragens, não na minha. Na minha só as despedidas, o que antecede o gelo e o recolhimento a casa. Nunca tinha pensado nisto, mas sou realmente feita de outonos, a estação onde todos páram e se apeiam. Continuam outras viagens, eu fico-me pelo recolhimento de todos os lutos que a vida me tem servido de bandeja, e com que luto para que um dia me floresça a Primavera no olhar, na alma, no espirito.Na vida.

Mas eu sou feita de Outono…E com poucas folhas…e nenhuma verde.

Mas depois do Inverno, o verde nascerá em todas, vivo, mesmo que não se acredite.

 

E isto!

 

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(imagem retirada da net)

 

Verdades em mim...

Ainda não desisti das coisas que toda a gente me diz que são impossíveis de alcançar.

 Não por serem coisas que custem muito dinheiro (que eu não tenho) mas sim, pelo simples facto, de serem coisas breves de tão eternas que são.

 O cheio a alfazema do colo da minha avó, os serões à lareira, com o gato preguiçosamente deitado no meu colo, que todas as noites queimava o rabo, deixando no ar um cheio que nos fazia rir, os filmes a preto e branco que os meus olhos viam a cores, e as primeiras sensações de solidão, de alegria, de medo e de eterna liberdade.

 Ainda não desisti de ser correcta, humilde e uma sonhadora crónica.

 Continuo a detestar a vulgaridade, a injustiça, a maldade e as pessoas que desconhecem o significado destas três palavras: vulgaridade, injustiça e maldade.

 Ainda não desisti nem de mim, nem das pessoas que me desiludem, porque tenho a certeza que também eu já desiludi alguém. (Mea Culpa!)

 Ainda não desisti de muita gente, nem de ser Gente...

 

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Se eu pudesse...

Se pudesse voltar a viver a minha vida,
Da próxima vez gostava de fazer mais erros.
Descontraía. Faria mais disparates. Levaria menos coisas a sério. Corria mais riscos. Acreditava mais.
Subia mais montanhas e nadava em mais rios.
Convidava os amigos mesmo que tivesse nódoas na carpete.
Usava a vela em forma de rosa antes dela se estragar no armário,
Sentava-me na relva com os meus filhos
sem me preocupar com as manchas verdes na roupa.
Tinha rido e chorado menos em frente da televisão e mais em frete da vida.
Tinha contado mais anedotas e visto o lado cómico das coisas.
Tinha descoberto menos dramas em cada esquina, e inventado mais aventuras.
Se calhar, tinha mais problemas reais,
Mas menos problemas imaginários.
É que, sou dessas pessoas que vive com sensibilidade
E sanidade hora após hora, dia após dia.
Oh, tive os meus momentos, e se pudesse fazer tudo de novo, outra vez, tinha muitos mais. De facto, não tentaria ter mais nada.
Apenas momentos, uns após outros em vez de viver tantos anos à frente de cada dia.
Fui uma dessas pessoas que nunca foi a lado nenhum sem um termómetro, Botija de água quente, casaco para a chuva e pára-quedas.
Se pudesse fazer tudo outra vez, viajava mais leve do que viajei.
Se tivesse a minha vida para viver de novo, começava mais cedo a andar descalça na Primavera, e ficava sempre assim,mesmo mais tarde, no Outono. Ia a mais bailes. Cantava muitas mais canções. Diria muitos mais «Amo-te» e «desculpa».
E apanharia
Mais papoilas."

Nadine Stair (85 anos)

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E isto!!!

 

Para relembrar..

Fizeram-nos acreditar que cada um de nós é a metade de uma laranja, e que a vida só ganha sentido quando encontramos a outra metade.

Não contaram que já nascemos inteiros, que ninguém em nossa vida merece carregar nas costas a responsabilidade de completar o que nos falta: crescemos através de nós mesmos.

Se estivermos em boa companhia só é mais agradável…

E isto!

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