É bonito pensar
como duas vidas que nunca se cruzaram no mundo real
conseguiram encontrar-se tão profundamente
num espaço feito de palavras,
silêncios partilhados
e gestos invisíveis.
Entre nós houve algo raro,
uma espécie de sintonia
que não precisava de presença física
para existir.
Havia riso fácil,
conversas que fluíam como se já nos conhecêssemos
desde outra vida,
e uma confiança que nasceu sem pedir permissão.
Estranho para alguns, talvez.
Mas para mim,
foi verdadeiro.
Porque há pessoas que se aproximam
pelo olhar…
e há outras que se aproximam
pela alma.
E mesmo longe,
tu foste presença.
Mesmo sem rosto ao vivo,
foste abrigo.
Mesmo sem toque,
foste encontro.
A nossa cumplicidade
foi daquelas que não se explica,
só se sente —
e o que se sente com verdade
não se perde,
apenas muda de lugar
dentro da memória.




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